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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Opinião - A perfeição de Fiona, Marion Chesney

Título: A perfeição de Fiona
Título Original: Perfecting Fiona
Autora: Marion Chesney
Série: Academia de Etiqueta, Volume II
Editora: ASA
Tradução:  Helena Ruão
Publicação Original: 1989
Nº de Páginas: 240
ISBN: 9789892330167
Temática: Romance
Lido: 15-05-2016 a 23-05-2016
No Goodreads: 4/5 estrelas 








Sinopse:

As formidáveis irmãs Tribble estão intrigadas. Por um lado, estão contentes por terem nas mãos mais uma jovem a quem preparar para a vida na alta-sociedade. Mas por outro, a sua nova cliente, Fiona Macleod, parece ser tudo menos intratável. Precisará mesmo da ajuda da Academia de Etiqueta? A lindíssima e abastada herdeira escocesa não tem um único defeito que se lhe aponte: é educada, graciosa, recatada, e fluente em italiano! Infelizmente, aos dezanove anos, ainda não arranjou marido, e é esse o plano de Mr. e Mrs. Burgess, tios e guardiões de Fiona.
A única recomendação? Que ela se mantenha afastada de Lord Peter Harvard.

Mas a verdadeira Fiona está prestes a revelar-se. E escolhe logo o seu primeiro baile para o fazer. Namorisca despudoradamente com os seus inúmeros pretendentes e aborda assuntos proibidos para qualquer jovem que se preze. Pois a verdade é que Fiona não tenciona casar-se... e nem mesmo as atenções de Lord Peter, o solteiro mais cobiçado da sociedade, a farão mudar de ideias. Mas quando as discussões acaloradas entre ambos dão lugar a beijos escaldantes, é possível que Fiona esteja prestes a reconsiderar...
No seguimento de A Educação de FelicityA Perfeição de Fiona é o segundo volume da aclamada série Academia de Etiqueta.


Opinião:
Na minha opinião, é tão fácil gostar desta série, como a detestar!
A Perfeição de Fiona trata-se do segundo volume da série Academia de Etiqueta, de Marion Chesney. E para dizer a verdade, não é muito diferente do primeiro volume, da história de Felicity.
Reencontramos as divertidas irmãs Tribble, desta vez, com uma nova jovem rebelde em mãos, Fiona, que simplesmente, não tenciona de maneira nenhuma casar-se, sobretudo com Peter Harvard. Tanto a personagem de Fiona como a de Peter, poderiam ter sido muito mais exploradas, mas parece ser característica da autora resumir-se ao essencial fazendo a história avançar e avançar, sem se preocupar muito com perguntas que fiquem sem resposta. São os defeitos que infelizmente, terei de lhe apontar, porque é uma série que poderia ter tido imenso potencial. Mas no entanto, não deixa de ser um bom livro e divertido de ler, com mais momentos hilariantes com estas personagens. O final é previsível, não me encheu as medidas, mas gostei. Tal como o primeiro livro, é rápido e fácil de ler. É uma história terna, ideal para se ler na praia, por exemplo. Faz rir, mas também enerva porque é estranho como uma relação sem qualquer base pode ser tão profunda como o Peter e Fiona o fazem crer. Mas temos as irmãs Amy e Effie para salvar a história, e assim, valeu a pena ter-lhe dado uma oportunidade. Espero mesmo que a série continue a ser publicada, pois apesar de não adorar completamente, terei todo o gosto em continuá-la, pois com certeza, momentos divertidos não irão faltar. 


Opinião - Um pedacinho de Céu, Julia Quinn


Título: Um pedacinho de Céu
Título Original: Just like Heaven
Autora: Julia Quinn
Editora: ASA
Série: Quarteto Smythe-Smith Vol I
Tradução: Helena Ruão
Publicação em Portugal: abril de 2017
Nº de Páginas: 344
ISBN: 9789892338460
Temática: Romance
Lido: 31-05-2017 a 01-06-2017
No Goodreads: 5/5 estrelas 






Sinopse:
Quem conhece Honoria Smythe-Smith sabe que, para lá das suas inúmeras qualidades, a jovem tem algumas… enfim… particularidades, nomeadamente:
1. É uma entusiástica (e péssima!) violinista 
2. Fica fora de si sempre que alguém diz "Bicho" 
3. NÃO está apaixonada (não está!) pelo melhor amigo do irmão.

Já Marcus Holroyd, conde de Chatteris, é o seu oposto. É um rapaz tímido e responsável, mais conhecido por:
1. Ser lamentavelmente dado a entorses do tornozelo 
2. Carregar o fardo de ser um dos solteirões mais cobiçados
3. NÃO estar (de todo!) apaixonado pela irmã do melhor amigo 


Juntos…
1.São grandes amigos
2. Comem quantidades escandalosas de bolo de chocolate 
3. Sobrevivem ao pior espetáculo musical do mundo

 Julia Quinn tem para eles planos que incluem…
1. Uma febre mortífera 
2. Momentos (muito!) embaraçosos
3. Um final desesperadamente romântico



Opinião:
Porque é que não comecei a ler os livros de Julia Quinn há mais tempo? A sério, adorei tanto este livro. Superou totalmente as minhas expetativas, que eram bastante altas! Já tinha ouvido falar muito bem da autora e tenho pena de ter demorado tanto tempo a dar-lhe uma oportunidade. Pois não me desiludiu, de todo.

Numa época onde para as mulheres fazer um bom casamento era a prioridade das suas vidas, Honoria, personagem principal, está desesperada para casar, sair de casa e principalmente, agradar à sua mãe. Mas não poderia imaginar que o melhor amigo do irmão, Marcus, andava a trocar as voltas aos seus pretendentes, despachando-os a todos. E é no meio deste 'pequenino' segredo de Marcus que a história se desenrola, com vários momentos engraçados, embaraçosos e até um pouco aflitivos. Porque sim, Marcus quase morre por culpa de Honoria. Mas enquanto ela está em pânico e com medo de o perder, ele só consegue ver o lado positivo da situação. A verdade é que a sua relação, se vai intensificado e florescendo cada vez mais, enquanto ela ajuda a tratar dele, e foi giro ver a união que se criou entre eles. Adorei o facto de a história estar recheada de humor, é sempre da minhas características preferidas. 

Honoria é uma rapariga muito divertida, com sentido de humor e um pouco irreverente, sempre com uma resposta sarcástica na ponta da língua. E por isto e muito mais, identifiquei-me imenso com ela. Não poderia ser mais diferente de Marcus, pois ele prefere sempre não ser o centro das atenções, mas é igualmente uma personagem muito interessante. Uma das personagens masculinas que mais gostei até agora! Faz-me lembrar um pouco o Darcy de Orgulho e Preconceito. 
Das restantes personagens destaco a família de Honoria, sobretudo as suas primas. Diverti-me imenso com elas e com as suas conversas, enquanto ensaiavam para os saraus musicais tradicionais da família. Os desastrosos, terríveis mas hilariantes saraus. Já sei que os restantes três livros da série vão ser sobre cada uma das restantes membros do quarteto musical e estou ansiosa para descobrir mais sobre elas, mais aprofundadamente do que possam ter sido neste livro. 

Li este livro em dois dias, é uma leitura muito agradável, com uma escrita bela e encantadora, que me prendeu até à última página. É uma história enternecedora e reconfortante, que nos deixa com um sorriso no rosto no final. Porque Honoria estava tão desesperada na sua busca pelo marido ideal, que não percebeu que aquilo que mais precisava, e queria, esteve sempre ali, ao seu lado. É demasiado fofo. E a capa, nem sei explicar o quanto a acho incrível, tão cheia de detalhes, tão linda! Vale mesmo a pena ler, sobretudo para quem aprecia romances/romances históricos. 

Mal posso esperar pela sua continuação, mas até lá vou sem dúvida iniciar a leitura da outra série da autora, e a mais conhecida, Bridgertons. 

« - Como te sentes? - perguntou ela, tentando ajeitar a almofada. - Tirando a parte de te sentires pessimamente, quero dizer.
Ele moveu a cabeça ligeiramente para o lado. Parecia ser uma versão enferma de um encolher de ombros.
- Claro que te sentes péssimo - esclareceu ela -, mas achas que há alguma mudança? Mais péssimo? Menos péssimo? 
Ele não respondeu.
- A mesma quantidade de péssimo? - Ela riu-se. Riu-se mesmo. Extraordinário. - Estou a ser ridícula
Ele assentiu. »















quinta-feira, 8 de junho de 2017

Opinião - A educação de Felicity, Marion Chesney

Título: A educação de Felicity 
Título Original: Refining Felicity 
Autora: Marion Chesney
Série: Academia de Etiqueta, Volume I
Editora: ASA
Tradução: Helena Ruão 
Publicação Original: 1988
Nº de Páginas: 240
ISBN: 9789892330167
Temática: Romance
Lido: 15-05-2016 a 17-05-2016
No Goodreads: 3/5 estrelas 







Sinopse:
Numa época em que as mulheres da nobreza só dispõem de duas opções - casar ou esperar que um parente rico morra - as irmãs Tribble não têm sorte nenhuma. Não só ainda não encontraram o amor como, após anos de bajulação a uma intratável tia velha, veem o seu nome apagado do testamento aquando da sua morte.

As românticas Amy e Effie Tribble sonhavam com ricos jantares de carne assada e batalhões de criados aduladores mas agora estão oficialmente na penúria. Ironicamente, é neste cenário desolador que lhes ocorre uma ideia brilhante: colocar a sua educação esmerada ao serviço das jovens mais "difíceis", apresentá-las à sociedade e arranjar-lhes casamento.

Não contavam que a sua primeira cliente fosse Lady Felicity Vane, cuja rebeldia ameaça enlouquecer a sua própria mãe e arruinar o projeto sentimental de Amy e Effie. A jovem prefere caçar com os amigos a pensar em casar. Mal ela sabe que o seu suposto pretendente é o homem que mais a irrita (e que mais irritado se sente por ela). Felicity nunca admitirá que o seu coração treme ao ver Charles Ravenswood, principalmente porque o elegante marquês parece não ter paciência nenhuma para as suas extravagâncias. O clima entre ambos é tão tenso que, se soubessem o que as irmãs planeiam, o resultado seria, no mínimo, desastroso…





Opinião:
A educação de Felicity é o primeiro volume da série Academia de Etiqueta (The School for Manners), publicado originalmente nos anos oitenta, pela escritora britânica Marion Chesney.

Conta-nos a história das duas irmãs Amy e Effie Tribble, desesperadas em manter a sua posição social, a todo o custo. É então que se lembram que a seu favor, têm não só o facto de terem uma boa educação como também saberem tudo sobre moda, tendências, assuntos da sociedade, etiqueta e boas maneiras. É então que decidem criar uma espécie de 'Academia de Etiqueta', com o objetivo de preparar donzelas desobedientes, rebeldes e indisciplinadas para a sociedade, para poderem fazer um bom casamento. Só que nem tudo vai ser assim tão simples, pois tornar Felicity Vane numa jovem bonita, prendada e de agradável companhia não irá ser tarefa fácil. Felicity é meio maria rapaz, mimada, com um espírito indomável, com comportamentos incomuns, que só gosta de arranjar sarilhos. Sobretudo à sua mãe, que só a quer ver bem casada. E é no meio das várias tentativas das suas senhoras em 'transformar' a jovem, que esta história se desenrola, em peripécias hilariantes, com muito humor. 

Atribuí a este livro três estrelas, apenas por dois motivos: primeiro foi a rapidez com que a história avança, pois num momento Felicity e Charles odeiam-se mutuamente como passado umas páginas, já estão perdidos de amores. Segundo, sinto que a história poderia ter sido muito mais aprofundada, com mais detalhes, com uma melhor caracterização psicológica das personagens, pois a fisica é bem feita, ao nível dos seus sentimentos. O leitor não percebe muito bem porque é que o casal se ama, apenas percebe que sim e nem houve uma construção de amizade primeiro. Mas tirando estes dois aspetos, as duas irmãs são muito peculiares e até a própria Felicity, na maior parte do tempo, é uma personagem querida. 

É um livro leve, simples, sem grandes desenvolvimentos e sem grande intensidade de emoções. Uma leitura rápida, fácil e muito divertida! Para além disto, como podem ver, a capa é maravilhosa, e chamou-me logo à atenção, pois não conhecia esta autora. Por dentro, as páginas estão recheadas de belos detalhes florais. 


Gostei desta leitura, acima de tudo porque adoro ler livros sobre esta época, pois era tudo muito diferente dos dias de hoje, mas ao mesmo tempo, muito interessante e 'clássico' ahah! Ainda só estão os dois primeiros editados em Portugal e espero sinceramente que os restantes também sejam lançados, pois gostaria muito de terminar esta série. Recomendo a sua leitura, sobretudo agora para os dias de verão! :)







sexta-feira, 2 de junho de 2017

Leituras de Maio:

Infelizmente, a faculdade não me permite ler a quantidade de livros que gostaria...


Deixo aqui as leituras que fiz durante o mês de maio e a respetiva classificação que lhes atribuí :)





A Bela e o Monstro - Novelization, Elizabeth Rudnick (5 estrelas)

As Crónicas de Nárnia: O Sobrinho do Mágico #1, C. S. Lewis (4 estrelas)


Os Sete e os cães roubados #4, Enid Blyton (4 estrelas)


Sensibilidade e Bom Senso, Jane Austen (5 estrelas)

Pés Alados, Sandra Nobre (4 estrelas)

Um pedacinho de Céu, Julia Quinn (5 estrelas)




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domingo, 14 de maio de 2017

Os Maias, Eça de Queirós


Título: Os Maias
Subtítulo: Episódios da Vida Romântica
Autor: Eça de Queirós
Editor: Clube do Autor
Publicação Original: 1888 
Nº de Páginas: 624
ISBN: 9789897240546
Género: Romance
No Goodreads: 4/5 estrelas 










Sinopse:
O romance conta a história de três gerações da família Maia, protagonizada por Carlos da Maia, cujo nascimento é marcado pela tragédia, devido à fuga da mãe e ao suicídio do pai, no entanto, vive uma infância e juventude felizes ao lado do avô Afonso, que sempre lhe proporcionou tudo.

A ação tem início em 1875, em Lisboa, com a mudança de Carlos e Afonso para o Ramalhete. Algum tempo após a instalação em Lisboa, Carlos conhece Maria Eduarda, e os dois apaixonam-se, vivendo uma relação forte e intensa, até ao momento em que, por mero acaso, descobrem um segredo que irá mudar as suas vidas para sempre. 


Opinião:
Ao longo de toda a obra, paralelamente à intriga principal, é feita uma crítica político-social, ou seja, a Crónica de Costumes, à sociedade lisboeta oitecentista, onde são exaltados os defeitos de Portugal, que impedem o seu progresso. De um modo geral, as personagens representam um vício ou uma mentalidade. É criticada a corrupção, o atraso intelectual, a educação,
o oportunismo, o declínio económico, as relações por interesse, a vida boémia, entre outros. Lisboa é o palco desta crítica. 

Carlos da Maia e João da Ega foram as duas personagens que mais gostei, apesar da mentalidade machista e da vida boémia, mas ambos possuíam um espírito livre, vivo e uma voz crítica. De facto, renderam-se aos vícios da sociedade, mas destaco a sua superioridade intelectual das restantes personagens. O João da Ega, há quem diga que é o autor colocado na obra, era um excêntrico, sentimental, romântico, crítico de Portugal e era bastante machista, mas era o amigo incondicional e insubstituível, para qualquer ocasião, confidente e conselheiro de Carlos, era humilde para com ele próprio e para com aquela amizade. Gostei muito da amizade entre estes dois! 

Uma das caraterísticas que considero mais curiosas, foi a existência de presságios, pois muitos deles 
são bastante evidentes ao dar a entender o que ia acontecer, mas tornam a história ainda mais cativante porque queremos acompanhá-la até ao fim. Gostei porque quando comecei a ler, tinha apenas uma vaga ideia sobre a história e não fiz nenhuma pesquisa, por isso foi ótimo não saber como a história ia terminar e ir descobrindo o que iria acontecer, à medida que ia lendo. E acima de tudo não saber qual o segredo que ligava Carlos a Maria Eduarda!

As extensivas descrições e os muitos pormenores tornam a história mais brilhante, permitem quase visualizar as cenas, logo, não considero um aspeto negativo. A escrita tem características românticas, realistas, naturalistas e até autobiográficas, numa linguagem rica e rigorosa. Compreendo o porquê de não ser um livro particularmente fácil de ler, não só pelas muitas e longas descrições, o que nem sempre é apreciado, mas por ser um livro de leitura obrigatória no secundário, o que a meu ver faz com que se perca algum interesse pela sua leitura. É daqueles livros que temos de ler porque queremos e porque gostamos do estilo, do género, do autor ou porque nos despertou a atenção por algum motivo. É preciso igualmente ter uma noção de como era esse Portugal do século XIX, que não é muito diferente do Portugal de hoje.

Como aspeto negativo, destaco apenas o facto de que apesar de todas as personagens serem ridicularizadas, Carlos e Maria Eduarda escapam de certo modo à crítica, isto é, funcionam como modelos a seguir na sociedade. Embora cometam tantos ou mais erros como o resto das personagens, para o narrador isso não é considerado importante, sendo muitas vezes apenas realçadas as suas características positivas. Pessoalmente, considero também que o final não está em sintonia com os capítulos anteriores, porque após tantos episódios, ficou um pouco aquém das minhas expetativas iniciais. Não sabia exatamente o que esperar mas desiludiu-me um pouco. 

Escrito no século XIX e considerado um dos mais prestigiados livros de toda a Literatura Portuguesa, já foi editado e reeditado em várias línguas, ao longo dos anos. Eça de Queirós é genial. Possui a facilidade de ‘brincar’com as personagens e com as histórias que escreve e ora sério, ora sarcástico, satirizou a sua época, sempre sob um olhar crítico e um humor refinado. A sua imaginação reflete-se na originalidade e na sinceridade que colocou neste livro. 

Adorei mesmo ter lido Os Maias. Como li para a escola, li mais depressa do que era suposto e houve algumas coisas que me passaram um pouco ao lado. Já passaram três anos mas é um livro que quero mesmo muito reler, talvez ainda o faça este ano. É muito completo, em todos os aspetos. Recomendo sem dúvida a sua leitura!


Deixo aqui alguns quotes do livro:

‘‘Falhámos a vida, menino! - Creio que sim... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: «vou ser assim, porque a beleza está em ser assim». E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Às vezes melhor, mas sempre diferente.” 

‘‘Portugal decidira arranjar-se à moderna: mas sem originalidade, sem força, sem carácter para criar um feitio seu, um feitio próprio, manda vir modelos do estrangeiro - modelos de ideias, de calças, de costumes, de leis, de arte, de cozinha... Somente, como lhe falta o sentimento da proporção, e ao mesmo tempo o domina a impaciência de parecer muito moderno e muito civilizado - exagera o modelo, deforma-o, estraga-o até à caricatura.’’

“- O quê!? Se tinha intenção de ofender o Dâmaso quando o ameacei de lhe arrancar as orelhas? De modo nenhum: tinha só intenção de lhe arrancar as orelhas!” 








Lisboa no século XIX

                                                

sexta-feira, 31 de março de 2017

As Serviçais, de Kathryn Stockett


Título: As Serviçais
Título original: The Help
Autora: Kathryn Stockett
Editora: Saída de Emergência
Tradução: Fernanda Semedo
Publicação: setembro de 2010
Nº de páginas: 464
ISBN: 978-989-637-254-5
Classificação temática: Romance
Lido: 10-08-2015 a 14-08-2015
No Goodreads: 5/5 estrelas











Sinopse: 

Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo. 
Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade. 
Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza. 
Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo.


Opinião:

Ao fazer um fiel retrato histórico da cidade de Jackson no Mississipi, as Serviçais leva-nos para a década de 60, para uma sociedade dividida pela segregação social. É no meio das revoltas, injustiças e desigualdades sociais, que surgem três personagens femininas incríveis, Skeeter, Minny e Aibileen, dispostas a arriscar as suas vidas para lutar contra as barreiras impostas entre brancos e negros, pela conquista da igualdade, pelo fim do racismo e do preconceito
É muito interessante a maneira como se observa o desenrolar da narrativa sob o ponto de vista destas personagens, das suas histórias, inseguranças, alegrias, sonhos e mágoas. Repleta de detalhes relevantes, momentos peculiares, pitadas de humor e cenários que nos transportam para aquela realidade. É um enredo envolvente e tocante do início ao fim, com a excelente escrita de Kathryn Stockett que me proporcionou uma leitura quase compulsiva do livro, sendo por isso um dos meus livros preferidos sobretudo pelos valores que me transmitiu, como a bondade, a coragem, a amizade, a esperança, o respeito e a preserverança.
Apesar do final em aberto, deixando o futuro das personagens ao critério da imaginação de cada leitor, gostava de saber o que de facto aconteceu depois. Por isso, ainda tenho esperança numa possível sequela. No entanto, quero realçar o facto de a adaptação cinematográfica estar fantástica, muito fiel ao livro e conta também com algumas das minhas atrizes preferidas. 
Em suma, este livro faz-nos pensar. Que é possível fazer a diferença, por mais pequena que seja. Que vale a pena correr riscos na luta por aquilo em que se acredita. Que a igualdade entre raças é possível e embora já não estejamos na década de 60, continuamos com um longo caminho a percorrer. E acima de tudo, que não importa o que sejamos ou qual é a cor da nossa pele. Importa que sejamos bons. 
''Alguma vez desejaste...mudar as coisas?'' - Kathryn Stockett
- Rita Valamatos 



Trailer do filme lançado em 2011