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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Pés Alados - Biografia de Telmo Ferreira, Sandra Nobre



Título: Pés Alados - Biografia de Telmo Ferreira
Autora: Sandra Nobre
Editora: Nova Delphi 
Publicação: março de 2017
Nº de Páginas: 92
ISBN:  978-989-747-046-2
Temática: Biografia
Lido: 12-05-2017 a 14-05-2017
Classificação: 4/5 estrelas








Sinopse: 
Biografia do percurso de vida de Telmo Ferreira, que se entrelaça com a existência do grupo de dança inclusiva Dançando com a Diferença.
«Foi um menino de Câmara de Lobos, quando a vila era a chaga da ilha.
Cresceu de mão estendida, passou fome, não aprendeu a ler.
Por linhas tortas, a vida ganhou outro rumo. Idealizou uma família.
Nunca desistiu.
A dança foi uma descoberta. Ele juntou-lhe talento.
O Grupo Dançando com a Diferença deu-lhe mundo e afetos.
Telmo tem 27 anos e voou para além do que poderia ter sonhado...»



Opinião:
Escrito pela jornalista Sandra Nobre, é um livro simples, que retrata a história de vida de Telmo, um jovem madeirense de 27 anos, que teve uma infância dura e cruel. Foi 'menino das caixinhas', pedinte forçado nas ruas de Câmara de Lobos. Vítima da miséria, da violência, da fome, do abandono. A vida já lhe tinha ensinado muito, em tão tenra idade. Mas a sua vida muda no momento em que descobre Henrique Amoedo, professor e coreógrafo, e entra no mundo da Dança.

Descobri a história e o livro do Telmo recentemente numa reportagem da TVI, do jornalista Paulo Salvador. Por isso, este livro não estava nos meus planos. Mas ainda bem que descobri esta história e que li este livro. Foi uma oportunidade para conhecer histórias de pessoas extraordinárias. A história de Telmo comoveu o país e milhares de portugueses deixaram mensagens de apoio e carinho nas suas redes sociais.

Como mandei vir o livro da internet, não sabia ao certo qual seria o seu tamanho, apesar de já esperar que fosse pequeno. Mas não esperava que fosse tãooo pequeno! Logo, lê-se bastante bem e rapidamente, pois tem apenas 92 páginas. Talvez o objetivo fosse exatamente esse, que não fosse algo muito grande, tendo em conta que a escritora desenvolve trabalhos de 'Storytelling', com livros de Short Stories. No entanto, penso que a narrativa poderia ter sido mais aprofundada, com mais detalhes e mais histórias. É o único aspeto menos positivo que lhe encontro. Porque como leitora que sou e acima de tudo, apreciadora de histórias verídicas, gostava de ter lido mais.

Mas à parte isto, é um ótimo livro, sobretudo por ser inspirador, em vários sentidos. Deu-me a conhecer o grupo ''Associação dos Amigos da Arte Inclusiva - Dançando com a Diferença', onde pessoas com e sem deficiência partilham de igual modo os palcos, o mundo da dança e da arte. Já contam com diversos espetáculos pelo mundo fora. Fico feliz por saber que este grupo existe. Que com naturalidade e sem preconceitos, se quebram estigmas e barreiras sociais. Onde as pessoas se adaptam umas às outras, onde se ultrapassam limitações e se superam barreiras físicas e cognitivas. Onde a sensibilidade artística e as relações de afeto criadas são o mais importante. Para muitos dos bailarinos, o grupo é um porto seguro, um desafio constante, mas muito recompensador. É essencial que este grupo continue a crescer, que haja mais aceitação e entendimento por parte das pessoas, e que continuem a mostrar ao mundo como são especiais. 

Este livro é sobre muitas coisas. É sobre sobrevivência, resiliência, trabalho, igualdade, afetos, dedicação, humildade, partilha, sorrisos, bondade, persistência, amor. É sobre realizar sonhos, mesmo com as adversidades da vida. É sobre 'voar mais alto'. É sobre acreditar e fazer a diferença, todos os dias, por um mundo melhor.  É uma lição de vida. 

''Ninguém fica indiferente a um espetáculo do grupo Dançando com a Diferença. Algumas pessoas não chegam a entender, mas essas perderão muito pouco tempo a pensar na vida e o que cada uma cá anda a fazer. Outras incomodam-se com o confronto das mensagens, um murro no estômago, um relativizar de toda a existência mundana, vão às lágrimas. A deficiência, assim mostrada, tem um lado belo, onírico, poético. É a diferença entre a realidade e a arte, entre a terapia e a dança.'' 
- Sandra Nobre, Pés Alados 




(Menina da Lua, interpretado por Telmo e Bárbara,
do grupo Dançando com a Diferença, 2017)


domingo, 14 de maio de 2017

Os Maias, Eça de Queirós


Título: Os Maias
Subtítulo: Episódios da Vida Romântica
Autor: Eça de Queirós
Editor: Clube do Autor
Publicação Original: 1888 
Nº de Páginas: 624
ISBN: 9789897240546
Género: Romance
No Goodreads: 4/5 estrelas 










Sinopse:
O romance conta a história de três gerações da família Maia, protagonizada por Carlos da Maia, cujo nascimento é marcado pela tragédia, devido à fuga da mãe e ao suicídio do pai, no entanto, vive uma infância e juventude felizes ao lado do avô Afonso, que sempre lhe proporcionou tudo.

A ação tem início em 1875, em Lisboa, com a mudança de Carlos e Afonso para o Ramalhete. Algum tempo após a instalação em Lisboa, Carlos conhece Maria Eduarda, e os dois apaixonam-se, vivendo uma relação forte e intensa, até ao momento em que, por mero acaso, descobrem um segredo que irá mudar as suas vidas para sempre. 


Opinião:
Ao longo de toda a obra, paralelamente à intriga principal, é feita uma crítica político-social, ou seja, a Crónica de Costumes, à sociedade lisboeta oitecentista, onde são exaltados os defeitos de Portugal, que impedem o seu progresso. De um modo geral, as personagens representam um vício ou uma mentalidade. É criticada a corrupção, o atraso intelectual, a educação,
o oportunismo, o declínio económico, as relações por interesse, a vida boémia, entre outros. Lisboa é o palco desta crítica. 

Carlos da Maia e João da Ega foram as duas personagens que mais gostei, apesar da mentalidade machista e da vida boémia, mas ambos possuíam um espírito livre, vivo e uma voz crítica. De facto, renderam-se aos vícios da sociedade, mas destaco a sua superioridade intelectual das restantes personagens. O João da Ega, há quem diga que é o autor colocado na obra, era um excêntrico, sentimental, romântico, crítico de Portugal e era bastante machista, mas era o amigo incondicional e insubstituível, para qualquer ocasião, confidente e conselheiro de Carlos, era humilde para com ele próprio e para com aquela amizade. Gostei muito da amizade entre estes dois! 

Uma das caraterísticas que considero mais curiosas, foi a existência de presságios, pois muitos deles 
são bastante evidentes ao dar a entender o que ia acontecer, mas tornam a história ainda mais cativante porque queremos acompanhá-la até ao fim. Gostei porque quando comecei a ler, tinha apenas uma vaga ideia sobre a história e não fiz nenhuma pesquisa, por isso foi ótimo não saber como a história ia terminar e ir descobrindo o que iria acontecer, à medida que ia lendo. E acima de tudo não saber qual o segredo que ligava Carlos a Maria Eduarda!

As extensivas descrições e os muitos pormenores tornam a história mais brilhante, permitem quase visualizar as cenas, logo, não considero um aspeto negativo. A escrita tem características românticas, realistas, naturalistas e até autobiográficas, numa linguagem rica e rigorosa. Compreendo o porquê de não ser um livro particularmente fácil de ler, não só pelas muitas e longas descrições, o que nem sempre é apreciado, mas por ser um livro de leitura obrigatória no secundário, o que a meu ver faz com que se perca algum interesse pela sua leitura. É daqueles livros que temos de ler porque queremos e porque gostamos do estilo, do género, do autor ou porque nos despertou a atenção por algum motivo. É preciso igualmente ter uma noção de como era esse Portugal do século XIX, que não é muito diferente do Portugal de hoje.

Como aspeto negativo, destaco apenas o facto de que apesar de todas as personagens serem ridicularizadas, Carlos e Maria Eduarda escapam de certo modo à crítica, isto é, funcionam como modelos a seguir na sociedade. Embora cometam tantos ou mais erros como o resto das personagens, para o narrador isso não é considerado importante, sendo muitas vezes apenas realçadas as suas características positivas. Pessoalmente, considero também que o final não está em sintonia com os capítulos anteriores, porque após tantos episódios, ficou um pouco aquém das minhas expetativas iniciais. Não sabia exatamente o que esperar mas desiludiu-me um pouco. 

Escrito no século XIX e considerado um dos mais prestigiados livros de toda a Literatura Portuguesa, já foi editado e reeditado em várias línguas, ao longo dos anos. Eça de Queirós é genial. Possui a facilidade de ‘brincar’com as personagens e com as histórias que escreve e ora sério, ora sarcástico, satirizou a sua época, sempre sob um olhar crítico e um humor refinado. A sua imaginação reflete-se na originalidade e na sinceridade que colocou neste livro. 

Adorei mesmo ter lido Os Maias. Como li para a escola, li mais depressa do que era suposto e houve algumas coisas que me passaram um pouco ao lado. Já passaram três anos mas é um livro que quero mesmo muito reler, talvez ainda o faça este ano. É muito completo, em todos os aspetos. Recomendo sem dúvida a sua leitura!


Deixo aqui alguns quotes do livro:

‘‘Falhámos a vida, menino! - Creio que sim... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: «vou ser assim, porque a beleza está em ser assim». E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Às vezes melhor, mas sempre diferente.” 

‘‘Portugal decidira arranjar-se à moderna: mas sem originalidade, sem força, sem carácter para criar um feitio seu, um feitio próprio, manda vir modelos do estrangeiro - modelos de ideias, de calças, de costumes, de leis, de arte, de cozinha... Somente, como lhe falta o sentimento da proporção, e ao mesmo tempo o domina a impaciência de parecer muito moderno e muito civilizado - exagera o modelo, deforma-o, estraga-o até à caricatura.’’

“- O quê!? Se tinha intenção de ofender o Dâmaso quando o ameacei de lhe arrancar as orelhas? De modo nenhum: tinha só intenção de lhe arrancar as orelhas!” 








Lisboa no século XIX

                                                

terça-feira, 2 de maio de 2017

Os melhores de 2016:

De acordo com o meu Reading Challenge do Goodreads, em 2016 li 43 livros, de uma meta proposta de 40 livros. Tecnicamente li 45, porque reli dois. Aqui em baixo deixo a lista dos melhores livros que li o ano passado. Este ano o objetivo é ler 55! Let’s see how it goes :) 




  Trilogia Asas de Glória, Sarah Sundin  
  P.S. Ainda te Amo, Jenny Han
Mulherzinhas, Louisa May Alcott
Fables Volume 1: Legends in ExileBill Willingham
A Minha Pequena Livraria, Wendy Welch
A Eduação de Felicity, Marion Chesney
Fangirl, Rainbow Rowell
Cinder, Marissa Meyer
Will e Will, John Green
Rubi, Kerstin Gier
    A Minha História com Bob, James Bowen         
O Mundo Segundo Bob, James Bowen
Série Harry Potter, J.K. Rowling



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Muito mais que 5inco minutos, Kéfera Buchmann

Título: Muito mais que 5inco minutos
Autora: Kéfera Buchmann
Editor: Marcador
Publicação em Portugal: setembro de 2016 
Nº de páginas: 144
ISBN: 9789897542411
Classificação temática: Biografia
Lido: 01-10-2016 a 02-10-2016
No Goodreads: 4/5 estrelas












Sinopse:

Com uma mistura de humor, improviso e sinceridade chocante, Kéfera Buchmann é hoje um dos maiores fenómenos da net brasileira. O canal que gere desde 25 de julho de 2010 no YouTube, 5inco Minutos, é visto por milhões de pessoas. Mas de onde veio o furacão Kéfera? É disso que nos fala neste livro, que reúne algumas das suas histórias de infância e adolescência, anteriores ao fenómeno que ela é hoje. Sem papas na língua, escreve sobre relações, fala do primeiro beijo, confessa puros momentos de… aperto e aborda temas difíceis, como o bullying de que foi vítima na escola. O resultado é muito mais do que um livro de alguém famoso, mas igual a todos nós.


Opinião: 

É muito fácil gostar da Kéfera. Ou identificarmo-nos com ela. 
Neste livro, a jovem youtuber brasileira aborda variados temas relevantes, como a auto estima, a escola, o bullying, relacionamentos, entre outros. Conta histórias sobre a sua infância e adolescência, antes da fama. É um livro sobretudo destinado para o público mais jovem.
É um livro divertido e refrescante, recheado de humor, que transmite energia e boa disposição. Enquanto estamos a ler, quase que conseguimos imaginar a voz da Kéfera a dizer as palavras. É de uma leitura fácil e rápida, com uma escrita simples.
No entanto, esperava um pouco mais do livro, talvez algo de diferente. Pode parecer um pouco superficial, ou forçado, visto que a escrita não é muito aprofundada. Para além disso, contém também diversas imagens, que o ilustram bastante bem. No geral, está um ótimo livro.  
Apesar de já não acompanhar tanto o seu trabalho como antes, continuo a gostar muito da Kéfera e da sua maneira de ser. Por tudo o que ela é e onde chegou. Por não se importar com o que os outros pensam, por ser bastante genuína, sincera e hilariante. E se o segundo livro dela 'Tá Gravando. E agora?' também for editado em Portugal, certamente irei lê-lo.